E
quem disse que acabou o passeio pela Colômbia? Para quem gostou do que viu
sobre Bogotá, tenho certeza que irá gostar mais ainda de um dos destinos mais
procurados pelos brasileiros, claro, depois da Argentina e Chile, por conta da
proximidade. Estou falando de Cartagena
de las Índias, que impressiona por toda a sua história, além de ser o
portal de entrada para o Caribe. Querem conhecer um pouco mais da cidade? Então
fiquem ligados, que a viagem começa agora!
Basicamente
quatro empresas operam para a cidade, são elas: a Copa Airlines, a Avianca, a
Lan Colombia e a Viva Colombia. Os preços são bastante parecidos, mas a Viva
Colombia com certeza tem os preços mais baixos por ser uma empresa low cost e financiada pela Ryanair, da Irlanda. A minha opção, prezando
pela segurança, conforto e atendimento, foi a Avianca (independente dos
benefícios que eu possuo por ser cliente elite). A passagem tem uma variação de
preço entre R$ 200,00 e R$ 800,00 para ida e volta, depende das datas e
antecedência na compra.
O
voo entre Bogotá e Cartagena dura em média 1 (uma) hora e o aeroporto é
bastante simples. Se você não gosta muito dos embarques/ desembarques remotos
(com escada) nos aeroportos brasileiros, lá só existe esta opção, que
pessoalmente gosto bastante, para bater as fotos com as diferentes aeronaves.
Ao desembarcar, é nítida a diferença de temperaturas entre a capital da
Colombia e a cidade que é banhada pelo Mar do Caribe. A retirada das malas pode
ser demorada, caso você tenha e não use as prioridades de bagagens, fica a
dica. Se você prefere viajar em aviões maiores, que operam rotas
internacionais, a dica fica por optar pelos voos com a Avianca, que opera com
Airbus A330 (o mesmo que faz a rota de São Paulo para Bogotá) e o novíssimo
Boeing 787-8 (que faz rotas pra Europa), que foi a minha escolha!
Desembarque no novíssimo Boeing 787-8 da Avianca |
Agora
um fato bastante curioso, com relação a troca de moedas no aeroporto de
Cartagena. Ao contrário do que acontece em Bogotá, o câmbio é bastante
desastroso e não vale a pena fazer a troca completa por lá, a sugestão é apenas
trocar a sua moeda, seja dólar, euro ou real por pesos colombianos para pagar o
táxi e esperar chegar até a cidade Amuralhada
para escolher nas diversas casas de câmbio a melhor para você. Outra coisa importantíssima
para Cartagena e que confesso que fui despreocupado e aceitando todos os
valores que me ofereciam, mas, tudo é negociável por lá. Tiveram que pegar
bastante no meu pé para eu tomar jeito e conseguir negociar! No final da
viagem, eu estava conseguindo o que queria pela metade do preço. Apenas para
vocês terem uma idéia, a corrida de taxi entre o bairro que me hospedei, Bocagrande, para a Cidade Amuralhada, custava SEMPRE 6.000/ 7.000 pesos, mas no
primeiro dia acabei pagando 8.000 pesos. Se você quiser comprar algum
artesanato na rua, sempre dê um valor abaixo e isso vale até para os passeios
turísticos, para as ilhotas ao redor da cidade, que irei falar mais adiante.
Ah! Os taxis não possuem taxímetro e é seguro pegar qualquer taxi no meio da
rua, a cidade é mais segura que Bogotá, ok?
Apesar
de sempre ter ouvido que era melhor me hospedar na cidade histórica, acabei
sendo teimoso e optei pelo moderno bairro de Bocagrande, um pouco mais afastado do que se tem mesmo para fazer
na cidade, que é a cidade amuralhada/ murada, como vocês preferirem. No final,
fiquei num hotel moderno, que ficava 6 (seis) minutos de tudo isso e foi ótimo,
considerando que não existe trânsito pesado na cidade. Me hospedei no Hampton by Hilton (http://hamptoninn3.hilton.com/en/hotels/colombia/hampton-by-hilton-cartagena-CTGHXHX/index.html), que tem dependências bastante
modernas, limpas e uma piscina bastante interessante na cobertura. O que achei fraco
demais foi o café da manhã, que poderia ser um pouco melhor por conta da marca Hilton, né? Mas estava com preços
bastante interessantes, comparados aos disponíveis na cidade histórica. Na
minha opinião, a única vantagem de se ficar por lá, é você ter um local para
tomar banho e voltar a caminhar pelas ruas históricas, fora isso, não há
problema algum de se hospedar em um lugar “mais afastado”. Entendam que
Cartagena é uma cidade bastante pequena e tudo é perto, além dos taxis serem
baratos e negociáveis!
Como
meu voo chegou próximo ao horário de almoço e o serviço de bordo é castanha e
bebida (e pensar que no Brasil o pessoal reclama de ter que pagar por comida,
ou não darem nada!), cheguei faminto e não pensei duas vezes antes de atacar um
hambúrguer na frente do hotel, numa lanchonete. Depois disso, fui sentir as
primeiras impressões da região de Bocagrande
e conhecer a praia, que sinceramente? Muito fraca e desorganizada. Salvo se
você morar numa cidade que não é de litoral e for louco por praia, vai achar
ela uma boa praia, mas adianto que terão várias outras opções muito melhores. O
bairro, pessoal, é aonde está a maior concentração de prédios, seguido também
por inúmeros restaurantes, que tem especialidade de frutos do mar na beira mar
e alguns malls (shopping center),
como o Centro Comercial Plaza Bocagrande.
Fui num restaurante que dizem ser um dos melhores do bairro, o La Olla Cartagenera (http://www.losmejoresrestaurantes.com/Catalogo/Producto.aspx?id=4603&idSec=116). Para ser sincero não me saltou os
olhos, apesar do meu prato ter sido relativamente bom! A sugestão é fugir de
carnes e algo que não seja frutos do mar, a possibilidade de se decepcionar é
enorme.
Seguindo
o passeio, chegamos finalmente ao centro histórico, também conhecido por Ciudad Amurallada, que é repleta de
história, lojas, hotéis e restaurantes de primeira linha. Antes de falar um pouco
sobre lá, quero lembrar a vocês que no período de colônia espanhola, Cartagena
era o principal porto aonde os colonos mandavam as riquezas (em especial o
ouro) para a Europa e toda as construções foram protegidas por um muro, contra
invasores. Hoje, parte dessa proteção ainda existe e é uma atração turística
para todos que ali se destinam.
Continuando o passeio, confesso que sempre procurei chegar por lá no local que eu me guiava melhor, que era a Torre do Relógio (Torre del Reloj). No primeiro dia não teve jeito, sem conhecer nada, acabei me perdendo pelas ruas históricas, o que não foi um mal negócio, admirando a arquitetura espanhola e as charmosas praças e restaurantes ao longo do caminho. O mais incrível é que dentro da cidade amuralhada/ murada, tem muita vida a qualquer hora do dia! Não é difícil achar uma balada ou festa, sejam nos rooftops ou em solo mesmo. Para os amantes da rede Hard Rock Café, há um próximo a Torre do Relógio, que tem inúmeras promoções de bebidas durante a tarde, com clones e tudo mais! Mas, como há concorrência, os bares ao redor fazem algumas vezes mais barato e as vezes em triplo!
Um
dos lugares mais interessantes dentro da cidade amuralhada/ murada é a Plaza Santo Domingo, que leva o nome da
igreja que está cravada na praça. Sabem aquelas praças no exterior, que você
fica observando danças típicas e manifestações culturais? Pois é, acontece
todos os dias por lá e aos amantes das artes, há uma escultura do artista
colombiano Fernando Botero, a “Gertrudis”
que para quem não conhece é uma mulher com traços mais grotescos/ maiores, com
o seios a mostra e deitada, fazendo pose para algo. Curiosamente ela fica
justamente de frente para a igreja, que leva o nome da praça! O ideal mesmo é
pegar uma das várias mesinhas no meio da praça e curtir uma comida, que tem
desde massas, até comidas típicas e carnes nobres também, com uma bela cerveja
gelada, afinal... o tempo por lá é bastante quente e abafado.
Não
muito longe de lá, é possível caminhar ou até tomar uma charrete até o Café del Mar (http://www.ticartagena.com/en/things-to-do/bars/cafe-del-mar-king-of-cartagena-sundowners/), que considero um programa
OBRIGATÓRIO. Eu iria até mais além! Diria que se possível ir todos os dias por
lá no pôr do sol, para contemplar e curtir o local, não pense duas vezes. O
local, é um bar super badalado e talvez o mais famoso da cidade, aonde todos
que estão na cidade acabam optando para ouvir boa música, ver gente bonita, o
pôr do sol e entrar noite adentro com uma boa bebida e quem sabe, bem
acompanhado, não é? Se você gosta de barezinhos, essa é uma programação e
experiência única. Apenas para destacar, o local se encontra numa localização
super privilegiada, em cima da muralha de proteção da cidade, em meios a
antigos canhões do século 17. Além de transpirar história, é uma balada
bastante legal, quando se começa a noite.
Aproveitando
que “ainda estamos” na cidade amuralhada/ murada, eu vou indicar aqui também
alguns restaurantes que passei, iniciando pelos amantes dos belos cortes de
carne, que é o restaurante Señor Toro. Apesar
de ter procurado de todas as formas aqui o site
oficial, não encontrei para vocês puderem conhecer um pouco mais, mas é um
restaurante bastante elegante e com cortes de carnes nobres, que eu indico
bastante. Sabem fazer muito bem! Já os que preferem uma comida italiana, como
uma pizza, a minha indicação fica pro restaurante La Diva (http://www.bestrestaurantsincolombia.com/en/restaurant-colombia/la-diva-cartagena.html), que tem um atendimento rápido,
eficiente e com massas finas e muito bem feitas. O mais legal, para quem tiver
fazendo dietas fit, é que a pizza é
bastante leve e gostosa, mesmo bem temperada.
O
dia seguinte teria de ser muito bem planejado, pois eu iria sair de Cartagena e
“viajar” até alguma de suas praias ao redor, que são aonde realmente tem o
famoso Mar do Caribe, com aqueles vários tons de azul, que todos conhecemos. A
praia da cidade, como dito anteriormente, é péssima! Mas é preciso saber
escolher bem, pois são inúmeras opções, inclusive a Playa Blanca. Pelo que entendi, é uma praia pública e que lota de
pessoas, algo tipo o “piscinão de Ramos”, no Rio e o mar apesar de ter uma bela
tonalidade, é pastoso (nada transparente). Ah, e você pode ir por terra, num
ônibus confortável ou de lancha, custando em média 65.000 pesos colombianos.
Adianto a vocês que não quis fazer, por achar muito fraco, para o que eu
esperava.
A decisão então ficou na escolha das inúmeras praias privadas que fazem parte da Isla Grande/ Isla Rosário. Sério, você fica tonto e não sabe qual a melhor opção, mas acabei optando pela praia privada do hotel San Pedro de Majagua. Apesar de confuso, é preciso entender que essa é uma das praias privadas da Ilha Rosário, que está inserida dentro da Ilha Grande e há várias outras opções, inclusive o oceanário, que é outro passeio. O meu, que era passar o dia neste hotel e praia privada, incluiu a transporte da marina até a praia, além do almoço (que só tinha opção de dois tipos de peixe, com arroz de banana e legumes) e a volta. O local é espetacular e faz jus ao que esperamos de Mar do Caribe, mas tem um ponto bastante negativo que foi a volta no mar bastante agitado. Como o translado era feito apenas por lanchas coletivas e durava cerca de 1 (uma) hora até Cartagena, não foi uma experiência das melhores. Não falo pelo balanço do barco, mas pelas ondas bastante agitadas no mar aberto, que gerava uma sensação de inseguraça! Claro que eles estão acostumados a fazer esse tipo de trajeto e calculam inclusive esse tipo de coisas, mas confesso que fiquei bastante temeroso. O fato é que o lugar é impressionante e vocês possuindo tempo disponível, se programem para ir até lá. O passeio durou o dia todo e custou cerca de R$ 180,00 (cento e oitenta reais).
No
último dia ainda faltava um city tour, que é feito de várias maneiras! Existe
um ônibus hop-on/ hop-off (aqueles
que tem em toda cidade e você pode entrar e sair quando quiser), a Chiva
(ônibus clássico, usado no passado em países latino americanos) e os taxistas
que você negocia. Apenas para se comparar, a primeira opção custava cerca de
49.000 pesos colombianos, a segunda 69.000 pesos colombianos e eu negociei com
um taxista que fiz amizade e foi bastante solícito, por 65.000 pesos
colombianos o mesmo passeio. Com um GRANDE diferencial: ele esperava o tempo
que fosse, explicava tudo (sabia tudo de história da cidade) e ainda guardava
bolsas/ mochilas e o que quisesse dentro do veículo dele. A exemplo do que fiz
em Bogotá, eu indico ele! É o Pedro e infelizmente ele não usa whatsapp, tem
que ligar pra ele: +57 (310) 6773413.
Ele inclusive me levou ao aeroporto e em outros lugares, afinal, sempre cobrou
os preços mais baratos e justos!
Voltando
ao passeio, paramos no Cerro de La Popa,
que para muitos é apenas uma “montanha” que você consegue ver toda a Cartagena
lá do alto, mas é muito mais do que isto. Na verdade lá é aonde está o Convento de Santa Cruz de La Popa, que
foi construído no começo dos anos 1600 e está localizado no ponto mais alto da
cidade. A sua arquitetura é colonial e tem um museu que conta com peças
religiosas, algumas esculturas e quadros. Dentro do convento, há uma decoração
que se destaca por inúmeras flores penduradas, dando um ar mais animado ao
local. O maior problema mesmo foi o calor excessivo, que me fazia fugir da área
externa e correr para dentro, aonde tinham sombras.
Seguindo
o tour, era a vez de chegar no Monumento de los Zapatos Viejos, que é
uma escultura de dois sapatos gigantescos, feito pelo poeta cartagenero Luis
Carlos López, em sua obra “A mi ciudad
nativa”. Basicamente, ele dizia que todo mundo possui um sapato velho, que
não se desfaz e sempre volta a usar em algum momento. Nada mais do que isso! E
é uma escultura que os turistas acabam entrando neles e batendo fotos
diferentes, com o Castillo de San Felipe
de Barajas ao fundo.
Falando
no Castillo de San Felipe de Barajas, dizem
ser a maior obra militar da Espanha dentro das colônias americanas e teve papel
importante em várias guerras. Lembram que eu já tinha dito que Cartagena era o
principal porto espanhol para levar as riquezas, em especial o ouro das
Américas para o velho continente? O
tempo passou e hoje o forte/ castelo é um dos principais pontos turísticos da
cidade e é preciso coragem para aguentar as altas temperaturas da cidade,
enquanto se vai até o topo do castelo.
A
viagem estava chegando ao fim, mas ainda teve tempo de conhecer a casa de uma
das principais figuras da história colombiana, que era a do Rafael Nuñes.
Basicamente ele era de Cartagena e foi até hoje o único presidente da nação a
morar fora da cidade de Bogotá, optando a sua cidade natal. Além disto, ele era
poeta e escritor, o que ocasionou o surgimento do hino da nacional, que foi
adotado oficialmente só em 1920. Ele também promulgou a constituição da
Colômbia de 1886 e alterou anos depois o mandato presidencial, que era de 2
(dois) para 4 (quatro) anos, mas infelizmente não conseguiu seguir no cargo,
pois acabou sofrendo um infarto e falecendo. Com o passar dos anos, a sua
residência foi vendida para pessoas que exploravam mercado negro, inclusive com
brigas de galo e outras atividades obscuras. Outro presidente da Colômbia, que
não me recordo o nome neste momento, recomprou a casa e a transformou no atual
museu, para preservar a memória de um cidadão tão importante para o País. Não é
a toa que o aeroporto de Cartagena, leva o nome dele.
Como de costume, fiz o registro desta viagem e coloquei no meu canal do youtube. Ainda não está inscrito? Vai lá em https://www.youtube.com/ticoso e se inscreve no meu canal, para acompanhar as dicas desta e tantas outras viagens que já fiz e virão.
Agora é hora de conferir tudo que eu fiz lá em Cartagena, clicando "PLAY" no vídeo abaixo:
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